quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Cordel do Amor sem Fim


Assisti à peça “Cordel Amor sem Fim” duas vezes. Com apenas R$ 2,30, o espectador embarca numa viagem a Cariranha, sertaozão de Minas Gerais. E, apesar do teatro ser em pleno busão em movimento no conturbado trânsito paulistano, a gente nem tem vontade de olhar pela janelinha coberta por cortinas de chita. Porque o percurso de lá de dentro é bem mais fascinante, feito por uma história linda de amor contada e interpretada pela competente e carismática Trupe Sinhá Zózima.

Imagine réstias na parede, lampiões, um baú de cartas no teto, bolinhas de sabão e até redes penduradas. A trupe consegue ambientar o ônibus numa velha palhoça do sertão. Novos e muito talentosos, os atores nos fascinam por suas expressões meigas, aflitivas, fortes e emocionantes. Olhos nos olhos dos passageiros-espectadores, provocadores de sentimentos de nossas entranhas. Sem falar no texto, que é divino. E mais além... O texto, que lembra a prosa de guimarães rosa, é o grande protagonista da noite, nos enchendo os olhos de lágrimas, nos incendiando por dentro com uma vontade intensa de pularmos todas as nossas cercas e corrermos rumo ao que acreditamos e almejamos.

Cordel do Amor sem Fim é provocador e transformador. Uma viagem pelo caos de nós mesmos.

Peça em cartaz no Sesc Consolação.

3 Comments:

Blogger Sinhá said...

Que lindas as suas palavras... Mônica é muito bom despertar esse sentimento nas pessoas e saber que elas embarcam nesta viagem conosco, muito obrigado pelo carinho e pelas belas palavras...

1:04 PM  
Blogger Carolina said...

Linda, adorei o que escreveu! Assino em baixo. Amei esse espetáculo! Bjo.

9:18 AM  
Anonymous osmhar said...

Só para lembrar: Carinhanha e não Cariranha. Ah, e fica na Bahia.
Parabéns pelo Blog.

10:08 PM  

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