terça-feira, dezembro 05, 2006

Ciganinha do Banhado

Já houve algum tipo de tradição na minha vida, mas que se defez, assim como um crochê indelicado. O tempo tratou de carregar tudo: casa, escola, amigos e até paisagens. Se um dia eu morei sempre na mesma casa e estudei no mesmo colégio por alguns anos consecutivos, no outro dia acordei em outra cidade, sob um céu azulado, cercada de pessoas com sotaque.

Meu pai sempre contou a história da Ciganinha do Banhado, uma prima distante, para justificar a sede por mudanças. Eu já imaginava uma linda morena, cabelos longos e cacheados, mulher guerreira mesmo, saindo por este mundão afora, chegando e partindo, deixando sempre a saudade como rastro.

Apesar das mudanças constantes, impostas, no fundo sempre quis ser da “tradição”: nascer, crescer e viver num só lugar, como se a vida pudesse ser um grande kibutz. Mas não foi isso que aconteceu. No currículo de Mô tem 5 escolas, 7 casas, 4 namorados, 957 amigos, 0 avós e um cabelo longo, sempre longo, a minha única tradição. E, após este breve balanço da minha vida, confesso que tenho uma doce inveja de quem declara as raízes fortes: o mesmo bairro, os amigos da rua, a escola e até o namorado ou o casamento de tanto tempo. Afinal, permanecer é uma arte.

4 Comments:

Blogger Madalena said...

Oi Mô!
Compartilho da sua impressão... eu também tenho um histórico de 3 escolas (fora a facul), duas cidades, 6 casas, 8 empregos (fora os frilas), 2 namorados (tá bom, esse quesito nem é tão grande, haha). Mas sabe uma coisa? Acho que essas mudanças fazem a vida da gente ter mais graça. Elas marcam épocas, fazem a gente saber (ou ao menos ter a impressão) de que viveu, se repaginou, se reinventou, conheceu outras páginas do livro. É legal pensar que, há cinco anos atrás, tudo na vida era diferente e que a gente aprendeu algo com isso. E depois de pensar nessas coisas, eu acho que podia ter mudado até mais... e tenho um pouco mais de alegria pelas mudanças que, com certeza, ainda virão. :)

6:47 PM  
Blogger menina said...

Eu diria que permanecer pode ser um...grande SACO! Ahaha!
Na verdade, permanecer ou não, quando se tem escolha, é algo que depende do seu estado de espírito.
Do meu lado, tenho descoberto dons ciganos maiores do que imaginava...
Beijones

12:02 PM  
Blogger Mônica said...

Meninas! Sabia que esta minha reflexão sobra a arte de permanecer geraria polêmicas. Era isso mesmo: um certo tipo de provocação.
No fundo mesmo, adoro ser prima distante da ciganinha do banhado.
Beijos!

9:18 AM  
Anonymous Carol C R said...

Moniquinha! Confesso que sou daquelas que permanece... e as vezes até esquece porque está ali... Acho difícil mudar, e muito fácil se acomodar, ir ficando, "esperando Godot"...
Bjos

6:05 PM  

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