segunda-feira, novembro 06, 2006

Amizades masculinas

Eu não sei por que exatamente, mas a minha mãe sempre disse para eu cultivar amizades masculinas. Isso nunca foi muito difícil pra mim, já que eu coleciono três irmãos homens desde criança e muitos primos. Já aprendia pouco a pouco as mazelas do gênero masculino, seus desvarios, suas omissões, seus silêncios... Aos oito, quando de uma brusca mudança de uma escola de freiras para uma de padres eu caí num antro de meninos perdidos. Sim, fui estudar numa classe que tinha 32 meninos de uma vez só. Fiz muitas amizades.

Futebol, figurinhas, taco, vôlei, videogame, arminhas, super-heróis, aventuras, mistérios eram constantes do meu cotidiano. Não que eu não curtisse o mundo cor-de-rosa de ser menina. Ops! Sem o rosa, claro, eu bem que curtia algumas frescurinhas. Mas eu sempre fui uma menina-menino. Ou seja, nunca participei de um clube da Luluzinha, nunca fui odiada por eles, porque justamente era aquela do tipo “minha amiga”.
Veio a adolescência e com ela os amores, os desejos, os beijos... Eu tive muitas amigas para os desabafos, fofocas e letras de música. Mas era com eles que eu voltava a ser a amiga das risadas, das comédias, das aventuras, dos filmes de ação. Com elas sempre era o romance e o dramalhão. Com eles era o futebol, as piadas, os sons do violão, as pizzas, ping-pong, truco no portão. Com elas era angústia, as cartas, o diário abafado, os sonhos sonhados e os tiros no coração.

E eis que na adultice, encontro meus amigos longe, casados, desinteressados. O que estão aqui e se dizem amigos me querem um pedaço. Ou afastam-se porque sou uma amiga sem-namorado. Pois nesta altura da vida, amiga solteira é sinônimo de ameaça a relações estáveis. Mesmo ela sendo só uma amiga. Ainda mais se ela se tiver um par de pernas interessantes e uma bunda aprazível. Ainda mais se ela estiver com 26 anos e continuar solteira. Decepção!!!

Não há mais amigos das risadas, das calçadas, de diálogos de portão. Não há mais aquele que te chama pra tomar sorvete, sem querer nada em troca, apenas seus conselhos de crônica de jornal. Têm sim aqueles que se alimentam com o olhar, tentam emplacar um zé-papinho conquistador no pé do ouvido, interessados nas suas próprias vontades e não em sua amizade. Aliás... Amizade entre homem e mulher a partir de uma certa idade parece soar meio falso. Sinto-me presa por esses padrões de comportamento! Quero meus amigos de volta!!! Tonho, Zé, Neto, Neguinho, onde estão vocês, meus queridos?!

Por isso agarro-me nas minhas fiéis e escudeiras amigas, pois são elas que seguram a barra, os corações dilacerados e as almas arrombadas. São elas que me chamam para um chopinho básico, mesmo eu só bebendo suco de maracujá. São elas que me convidam para um dedinho de prosa, para festas, shows, reuniões e risadas a perder de vista. São elas que me lêem, me escrevem, que me ligam e me dão coragem e inspiração para continuar por aqui, blogando, chorando e me apaixonando, justamente por eles que um dia já foram tão meus amigos.

***Post dedicado à Jú e à Fê, pela chopp de quinta-feira. Valeu, meninas queridas.***

4 Comments:

Blogger Santíssimas said...

Querida, que lindo. Obrigada! É assim, a vida se abre num feroz carrossel muitas vezes, não só na famigerada fase da adolescência. Mas tamos aí, pro que der e vier, garotas unidas. Ah, se ELES, esses gajos que tanto nos dão assunto, soubessem o que estão perdendo! :)
Beijos!
SMM

1:15 PM  
Anonymous rodrigo said...

A melhor amizade da minha vida foi depois dos vinte e seis, com uma mulher de 30. Foi a pior perda que eu já tive. No final, ela sabia que se fosse embora, eu ia sofrer muito. Aquela amizade não tinha nada de estranho, como você está falando. O que acontece com seus amigos casados, é que as madames têm ciúme.

Do amigo, Rodrigo, 29 anos (que estranho!)

7:55 PM  
Anonymous rodrigo said...

errata: no lugar de ESTRANHO, troque por FALSO.

8:03 PM  
Anonymous Menina said...


Confesso que nunca soube lidar muito bem com amizades masculinas quando adolescente. Logo me apaixonava ou apaixonava o cara...rs
Por isso mesmo é engraçado descobrir que consigo ter amigos sinceros mesmo só agora, aos 28 anos e casada.
Portanto, não se avexe, que a vida vem em ondas como o mar e eles hão de voltar, beeem melhores e mais maduros.
Beijão, Fê
Ps.: adorei o "mulher celta dos tempos modernos" ("me achei"...rs)

2:55 PM  

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