segunda-feira, outubro 09, 2006

Nada rebeldes no pensamento

Cansada do colorido acampamento dos fãs do RBD em frente ao estádio do Morumbi, tenho que confessar que senti falta deles nesta manhã, quando passava por ali, a caminho do trabalho. Um vazio cinza... Ai ai!!! Há quase um mês tomando chuva, desfilando com suas saias de prega e gravatinhas vermelhas, a meninada rebelde confirmou um pensamento meu: a falta de rumo dos jovens do século XXI. Afinal, acamparem com um mês de antecedência em frente a um estádio de futebol virou moda. Lembrei-me das mineiras de BH há pouco tempo a espera dos “bons mocinhos” do U2.

É fato que eles passam fome, frio, quase não tomam banho. Mas, convenhamos... São persistentes os bichinhos. O que dói é pensar que a ideologia é fraca, por uma meia-dúzia de “popstar” que cantam dublando, porque nem voz eles possuem, no caso do RBD.

Mas aí eu fiquei pensando o seguinte... Como sou vidrada em futebol, e tenho meus momentos ora “mais viciada” e ora “menos viciada”, tentei entender o fenômeno da ideologia barata de hoje em dia. Acho que o ser humano tem a necessidade de apego a alguma coisa. Vejam os pobre-coitados lá da rua... Tem 4 igrejas diferentes para eles escolherem e gritarem e cantarem desafinadamente... Como diz a minha mãe: “uma suruba de fiéis”. Cada um planta com o que tem... Alguns escolhem um determinado Deus... Outros preferem os rumos da música. Aí tem também a galera que quer fazer parte de uma massa. Como por exemplo o torcedor de futebol...

Eu já fiquei uma coleção de horas na fila para comprar ingressos para os jogos do Timão, no ano passado. Não me arrependo. Achava tudo muito legal! Fiz amizade com uns corinthianos e fui muito feliz nessas horas de ideologia alvinegra. Euzinha mesmo, 25 anos e ciente da política pão e circo. Mim mesma, que nunca teve um ídolo pop. Até tentei, nos meus quinze anos, quando cada irmão meu elegeu uma banda para venerar, resolvi escolher a Marisa Monte. Tentei decorar além das suas letras, sua história, seus modos, seus jeitos... Resultado: não consegui. Achei Marisa uma chata com aquele sotaque carioca e suas declarações nada simpáticas. Pra completar não consegui imitar suas sombrancelhas. Aí, pronto! Desisti de cultuar um ídolo. Continuei com meus romances, poetas, minuetos e novelas. Eu sempre fui eclética: do erudito ao popular... Adorava a mistureba, o ir e vir... Acho lindo quando as pessoas possibilitam a diversidade cultural.

Mas enfim... Eu estava falando sobre a fé, o fã. E aí? O que aconteceu com a meninada rebelde depois do show? Tornaram-se pessoas melhores? Estão mais felizes, pelo menos? Enriqueceram-se de idéias e ideais? O mais provável é que tenham resolvido pintar o cabelo de vermelho, emagrecer a qualquer custo e continuar seguindo aqueles que hoje são o símbolo do sucesso. Sejam mexicanos, americanos, brasileiros... É a ideologia do consumismo que se vende, que se esbalda das nossas mentes criativas e se apodera dos nossos valores.

2 Comments:

Anonymous Carolina Calmon said...

Moniquinha! Adorei seu texto! Também nunca fui fã de ninguém assim...
Fiquei chocada com esse fenômeno RDB... é tão ruim e atinge tanta gente...acho triste.

Bjo

8:52 PM  
Anonymous  said...

Oi Mô
Texto perfeito. É duro torear minha baixinha, que é louca para seguir as coleguinhas nessa febre. Não sei como consegui convencê-la de trocar o DVD do RBD pelo da Floribela no Dia das Crianças!
Mas nem tudo está perdido: ontem mesmo cantamos "Bolacha de Água e Sal", juntas, na cozinha, enquanto eu passava manteiga em uma bolachita!
Beijão

4:38 PM  

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