segunda-feira, julho 23, 2007

Reconhecimento

Estou de ressaca. Uma ressaca que me faz nublar, como este tempo da cidade que escolheram para eu nascer e viver durante 20 anos da minha vida. Aqui chove copiosamente, como um choro dolorido. E aí lembro de como eu fiquei depois que passei por aquela porteira. A despedida doeu fundo na minha alma montanhosa. E não entendo o porquê da tristeza tamanha frente aos dias tão felizes que tivemos. Um reencontro mágico, depois de tanto tempo, e que foi tão necessário pra eu traduzir um montão de coisas dentro de mim.

Descobri que sou como um animal silvestre. Não posso viver presa. A liberdade é minha maior companheira. E se enjaulada, meus olhos crescem como o de uma suçuarana contrariada, a angústia se agiganta no peito e a minha energia vai perdendo o brilho pela falta de terra, pela falta de sol de montanha. E, muito tempo presa, vou perdendo o meu espírito bruto. Sinais de domesticação vão sendo notados em minhas atitudes.

Mas com um bom banho de vento de 1.500 Km, as idéias clarearam e a vista pôde enxergar além do horizonte. Me reconheci nas canções caipiras da viola que ele tocou pra mim todos os dias.

Não sou mais a mesma. Ou melhor... Identifico a minha essência verdadeira: montanhosa e silvestre.

1 Comments:

Anonymous rodrigo said...

"Identifico a minha essência verdadeira: montanhosa e silvestre." Olha só! Eu sendo suburbano e selvagem (que bem menos simpático do que SILVESTRE), era lógico que você não iria com minha cara hehe.

bjs
:)
R.

6:57 AM  

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