quarta-feira, agosto 06, 2008

Link

Nasci em 80. No ano em que Jonh Lennon morreu. Meu pai ficou desempregado em setembro e o Brasil mergulhou numa crise financeira brava. O médico falsificou um atestado médico para minha mãe poder viajar de avião mesmo estando com oito meses de gravidez. De Salvador pra Sampa, eles mudaram meu local de nascimento, mas não toda conjunção das estrelas e dos astros que já estavam desenhados para reger meu destino. E nem a torcida forte dos orixás que, desde tempo de concepção, já me vigiavam de perto.

Tinha medo do escuro, de fazer alguma coisa errada, de constragimento. Até hoje. Menos de escuro. Se alguém era sempre preterido num jogo qualquer, o último a ser escolhido para o time de volei ou para a equipe do esconde-esconde, eu filmava bem aquela pessoa e já tratava de escolhê-la numa oportunidade que me surgia. Bem coisa de libriana mesmo.

Não sabia fazer estrela, nem ponte, muito menos pular cela. A verdade é que era muito péssima na ginástica olímpica. Sem traquejo e elasticidade nenhuma. Por isso, quando a minha mãe finalmente me entendeu, fui fazer dança e realizei-me. Não era boa também. Mas minha determinação fazia toda diferença.

Talvez toda elasticidade que tenha me faltado nos espacates, tenha se acumulado no meu jeito de lidar com as pessoas. Gosto de tratar as pessoas bem. Gosto de dar atenção. Principalmente as que não são as preferidas. Acho que falta um olhar mais apurado ao redor da gente para descobrirmos um tanto de gente maravilhosa, que tem segredos de alma que as mais vistosas não têm. Têm aqueles que nasceram para fazer pose em vitrine de shopping. Mas têm outros que são os que vão alimentar seus sorrisos continuamente. Pode acreditar!

E acho que é de todo este meu jeito de gostar dos outros, de viver desobrindo alma linda por aí, que nasceu esta vocação de ser link. Isso mesmo! Sou um link ambulante. Na minha última empreitada, resolvi linkar duas amigas muito valiosas, que não se conheciam, a uma grande vontade que elas tinham em comum: assistir a um jogo de futebol do time querido. Esse momento batismo, foi um dos meus melhores presentes. Elas ficaram emocionadas, claro. Tamanho espetáculo de energia que presenciamos. Mas eu, a Sra Link, foi quem saiu mais feliz ainda.

Talvez eu saiba uma pontinha da sensação que os pais sentem quando linkam seus filhos com tudo quanto é coisa desta vida. Satisfação intensa. E a minha vida não teria o menor sentido se não fosse assim, se não abrisse mão de coisas mais individuais, em nome de coisas maiores, para a turma toda. Talvez, também, a maioria das pessoas me ache boba por não linkar eu mesma a objetivos queridos. Mas eu acredito mesmo que tudo, até os links, têm seu destino traçado. No momento certo, meu código html vai estar conectado a outro código bem predestinado. E isso vai ser a coisa mais natural do mundo. Bastará um simples clique.


2 Comments:

Blogger Madalena said...

Aiê, que lindúúú! E que saudade de você, sua chata!! Rs... me permito identificar-me com tudo que vc escreveu (menos com a parte do time, imagino, hehe). Vem logo pra cá, mulé! Tem vários códigos interessantes pra decifrar aqui pelos pampas tb (inclusive o nosso, das manas queridas, né!) ;)
Bjos!!
Ju

4:11 PM  
Anonymous "Anonymous"... said...

"...que os pais sentem quando linkam seus filhos com tudo quanto é coisa desta vida..."

Mal acabei de ler essa sua frase, veio na minha mindscreen a foto do dia em que nós demos o violão pro nosso filhote que nasceu primeiro!

Calmonzinha, você não precisa se preocupar em "se" linkar, porque a gente não "se" linka... Os Céus é que linkam a gente com o que eles acham que vai ser bom (ou não, às vezes...) pra gente! Nenhum código html tem a capacidade de se linkar a nada. Isso é prerrogativa do Grande Webmaster!! ;-)

Isso que você faz, de linkar 'os outros'... faz de você um pouco webmaster também, sabia? E com toda certeza isso fará MUITA diferença - pra cima, pra melhor - na hora em que alguém for elaborar os teus links!

Mas como a Eternidade é atemporal, ela não se importa de nos deixar esperando a vida toda por um linkzinho, por mais tosquinho que seja... Porque, pra Eternidade, a (nossa) "vida toda" não passa de um estalar de dedos... (é como se Ela não soubesse que, pra quem espera, o tempo passa muuuuuito mais devagar...)

Quanto a nós, como não somos nem um pouco atemporais (enquanto peregrinamos por este planeta afora...), é comum ficarmos impacientes com a espera pelo link que, parece, não chega nunca....

Mas chega sim, viu? É só ter paciência que ele chega. Não aquela paciência curta, enfastiada e rabugenta, bufando de saco cheio. E sim essa paciência florida, ativa, serena e serelepe que ilumina os teus olhos e que envermelha as tuas bochechas!

Minha linda! Te adoro!! :-)

10:41 PM  

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