quinta-feira, agosto 02, 2007

De repente, nas profundezas do bosque


Complexidades nos rodeiam à medida que avançamos as casas. Para escrever esta primeira frase, me apeguei naquele clichê de mensagem de caderno: a vida é como um jogo... E aí eu lembro do jogo da VIDA com seus carrinhos coloridos, tinha até casório e filhinhos... E eu gostava, claro, de ser contemplada com o casamento no jogo da VIDA. Tinham outras coisas, como “Você perdeu tudo”, mas eu não me lembro mais. Só sei que era uma montanha russa... Repleto de altos e baixos, sucessos e fracassos. E eu sempre prefiri, desde criança, jogar buraco. Talvez porque eu tinha mais autonomia com aquelas onze cartas nas mãos do que ser regida única e exclusivamente sob a sorte ou azar dos dados. Engraçado isso.

Mas, posto isso, preciso desabafar: estou numa fase estranha! Prestes a completar 27 anos, trabalhando, ganhando, pagando contas, ainda na casa dos meus pais, meio descontente com as minhas atividades profissionais diárias (uma constante repetição) e descobrindo muitas coisas ainda.

“O que eu quero fazer da minha vida?”, é uma coisa que anda desvendando com afinco. Eu gosto de pessoas e gosto do retorno que elas trazem. Por isso o meu caminho é ao lado delas. Gosto também de “fazer parte de” e não só passar a vida olhando o trabalho dos outros e retratando-os em folhas de revista. Eu quero fazer a diferença, como já fiz naqueles meses de educomunicação na Cohab do jardim paulista. Os meus filhotes me ligam até hoje... E isso é mágico! Por isso estou tentando embarcar numa boléia na qual acredito e quero fazer parte. Em outras paisagens, talvez. Afinal, sou filha do mundo e tenho espírito nômade. Preciso correr para não parar de sonhar.

Em relação a mim, pessoalmente falando, sou muito contraditória. Não quero namorar, mas quero viver um grande AMOR. Embora não acredite muito nisso. Eu acredito em coisas palpáveis: amigo, companheiro e amante caliente. E tenho consciência que é difícil reunir tudo num homem só. E para driblar essas incoerências, vou tentando juntar todas elas de uma forma picada, mas picante (hum...). Realmente gostaria de ter alguém me esperando pra jantar e ser jantada (hehe!) na volta pra casa, todos os dias. Mas adoro acordar com aquela sensação de ser livre e não ter que ligar, nem dar satisfação para ninguém. De saber que posso embarcar para qualquer canto, a qualquer hora, sem o pesar e o drama de uma separação.

Mas estranhezas à parte, tenho uma certeza absoluta enraizada dentro de mim: tenho amigos que realmente valem muito a pena!!! E isso é algo de muito valioso que carrego já faz muito tempo: o cultivo das amizades verdadeiras e consistentes. Porque eu acredito que ninguém pode viver sozinho. E eu, particularmente, gosto muito da interação paulofreiriana que ele descreve em seus textos. Seja com o ambiente (natureza) e com as pessoas. Também já me conscientizei que têm pessoas que passam (e isso dói em algum momento), mas sempre têm aquelas que ficam. E como é caloroso e confortante o carinho sincero de uma amizade luminosa nas nossas vidas. Elas não têm preço, nem idade, nem endereço certo. Podem estar aqui conosco ou a kilômetros de distância. Podem ser visíveis ou não. Homens, mulheres e afins. Pois são nossos AMIGOS que fazem toda a diferença durante o nosso caminho. Pra mim, do amor é o mais bonito e o único pra sempre realmente existente.

Caros... Isso tudo porque eu queria falar do livro que acabei de ler, que dá nome a este post “De repente, nas profundezas do bosque”. Amós Oz, o autor, conseguiu-me provocar de tal forma com um livrinho tão pequeno (dizem que é para crianças), mas tão fabuloso em sua fábula. E eu ainda não havia entendido o que realmente ele quis dizer... Mas têm coisas que não são objetivas. Elas são profundas e totalmente maravilhosas. Um exercício de mexer com as coisas de dentro da gente, bem lá no íntimo do nosso bosque.


3 Comments:

Anonymous Taís said...

Que momento lindo amiga!
Bom passeio pelo seu bosque...desejo que você encontre muitos pássaros, bichos, plantas e espiritos que guiem e fortaleçam seu caminho.
É Mô, acho que sua alma cigana pede para aflorar...
QUE DELÍCIA!!
beijos carinhosos

2:19 PM  
Blogger Carolina said...

Maravilhoso post! Aproveite que sua mãe está com o "Não diga noite", do Amós e leia. Vai amar e tem tudo a ver com as coisas que escreveu.
Beijão linda.

11:35 PM  
Blogger Madalena said...

Querida,
a alma de montanha, mar e ar fresco se renova todas as vezes que as encontro. :)
Bjos!
Ju

12:54 AM  

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